Liberdade (One shot)

Liberdade

Sinopse: Ela não possuía mais nada. Eles haviam levado tudo. Mas ela ainda possuía esperanças de que conseguiria a tão sonhada liberdade.
Classificação: Livre
Categorias: Originais 
Gêneros: Drama, Fantasia, Ficção Científica

Capítulo Único


N/A: One shot feita para um trabalho de português. ^^

Lúcia, também conhecida como Lulu, nasceu em 1998, em uma cidade pequena e isolada nos E.U.A, ainda pequena, com poucos dias de vida, foi deixada na porta de um orfanato pelos próprios pais, os quais nunca recebeu notícias posteriormente. Com 7 anos foi adotada por um jovem casal, mas tudo não passava de uma farsa, Lulu foi levada para um prédio afastado da cidade, que aparentava ser uma clínica, mas na realidade era um laboratório para a realização de experimentos com humanos, lá Lulu sofreu alterações e se tornou uma Cyborg, e passou a ser chamada de L.14. Lúcia foi aprisionada em uma, das várias salas existentes no prédio, ela não era a única criança aprisionada, assim como não era a única que passava as noites e dias chorando nas salas escuras, onde ficava afastada do resto do mundo e de onde só saia para ser usada como cobaia para as diversas experiências realizadas naquele lugar.
Com os vários testes, suas memórias foram se perdendo, porém a lembrança do dia em que chegou naquele lugar ainda era clara, o sofrimento e a dor pela qual passou foram aos poucos destruindo a menina, mas nada foi capaz de destruir sua imaginação, e foi graças a isso que Lulu se manteve forte, criou um mundo imaginário, um mundo onde ela podia ser feliz junto com os amigos inventados por ela, com os quais passava horas conversando, o que fazia com que os cientistas acreditassem que ela era só mais uma máquina que estava com defeito e que deveria ser consertada, ou simplesmente parar de ocupar espaço.
Quando não estava sendo usada de experimento, Lulu passava longas horas olhando através da pequena e única janela que dava para o lado de fora do prédio, seu momento favorito era quando chovia, ela poderia passar horas vendo as gotas de chuva se chocando contra o chão, mas aquilo já não era suficiente, ela queria sentir a chuva contra sua pele, queria saber que cheiro ela possuía e qual a sensação de correr e brincar sob ela, no fundo, o que Lulu queria, era ter liberdade.
O dia ainda estava nascendo, porém, Lúcia já estava deitada na maca da sala de operações, sua inteligência a permitia saber que aquele não seria somente um ajuste aos seus sistemas ou um simples experimento, ela sabia que a partir daquele momento ela perderia sua essência, sua identidade, ou como os humanos gostavam de chamar, sua alma. Seus sistemas seriam reiniciados, suas memórias apagadas, ela perderia seus sentimentos e sua imaginação, seu corpo continuaria vivendo, mas seu lado humano deixaria de existir.
Lulu viu as agulhas sobre a mesa ao seu lado, aquele era seu maior medo, foram aquelas agulhas que levaram parte de seu lado humano e que agora levariam completamente sua vida, ela não poderia aceitar aquilo, não poderia deixar que eles levassem a única coisa que ainda restava de si mesma, ela precisava fugir dali, por isso, em um impulso, ela levantou da maca e com a grande força que possuía, soltou-se das amarras que a prendiam, não havia ninguém ali, o que facilitou sua fuga, então ela correu em direção à saída de emergência, passou por outros cyborgs, robôs humanoides, até que quando se deu conta, já estava do lado de fora.
Uma fina garoa caía, garoa que se intensificou e se transformou em uma forte chuva, Lulu sorriu, estava na hora de conseguir sua liberdade, porém ela podia ouvir os gritos dos cientistas, vindos de dentro do prédio, eles batiam fortemente na porta atrás de Lulu, mas essa já estava trancada. Ela não conseguia identificar o que eles falavam, parecia que queriam alertá-la de algo, porém, ela já não ouvia os gritos nem barulhos, somente o som das gotas de chuva caindo e batendo contra o chão.
Lulu deu um passo á frente e sentiu as gotas baterem na sua pele, seus receptores registraram o contato e uma onde de felicidade a invadiu, as gotas de chuva caíam sobre sua face e representavam as lágrimas de emoção que Lúcia queria exprimir, porém, não conseguia.
No entanto, seu lado máquina era maior que seu lado humano e não demorou muito para que seus sistemas começassem a dar pane, fagulhas começaram a saltar de seu corpo, suas luzes começaram a piscar, até apagarem totalmente. O corpo de Lulu não possuía mais vida, agora, não passava de metal jogado ao chão, os olhos de Lúcia ainda permaneciam abertos e mostravam um brilho forte, brilho que representava a felicidade da menina que por poucos segundos sentiu a tão sonhada liberdade.

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